quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Você é resiliente?

Ser ou não ser

De acordo com a American Psychological Association a resiliência psicológica é definida como um processo de adaptação bem sucedida às experiências adversas, especialmente através da flexibilidade mental, emocional e comportamental caracterizado por ajustamento funcional às demandas externas e internas sem risco de surto psicológico.
Em outras palavras, é a nossa capacidade de enfrentar problemas, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas sem que haja abatimento significativo de nosso ânimo ou mesmo dano permanente à nossa psicologia, de forma que possamos restituir integralmente nosso estado de equilíbrio emocional original.
No senso comum, se entende como sendo o célebre “sangue frio” típico dos heróis de filmes de ação do cinema noir. Misto de super-homem com mestre tibetano: resolve qualquer parada, não se deixa abater, não fica traumatizado e não guarda ressentimentos.
Entre os especialistas a resiliência é apontada como uma competência tanto de indivíduos quanto de organizações, e como tal, pode ser ensinada e aprimorada.
O primeiro passo é entender como ela funciona.

Origens

O termo é emprestado da Físico-química, mas especificamente do capítulo que trata da Resistência dos Materiais, e tipifica a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida quando cessa a ação da tensão deformadora.
Em suma, é a capacidade de retornar ao estado inicial a despeito do estresse ou da adversidade a que foi submetido.
A resiliência é expressa numericamente em percentual da energia devolvida após a deformação.
Sendo que resiliência de 0% indica que o material sofre deformações exclusivamente plásticas, ou seja, depois de deformado é incapaz de retornar à sua forma original.
Já a resiliência de 100% corresponde aos materiais que sofrem deformações notadamente elásticas, ou seja, depois de deformados esses materiais são capazes de retornar integralmente à sua forma original.
Por exemplo, uma vara de salto em altura, que é vergada até um determinado limite sem se quebrar e depois retorna à forma original dissipando a energia acumulada e lançando o atleta para cima, apresenta resiliência próxima de 100%.
Foi o cientista inglês Thomas Young , em 1807, um dos primeiros a empregar esse termo quando estudava a relação entre a tensão e a deformação de barras metálicas.

Aplicações

Aplicado na engenharia, a resiliência de materiais, como o aço, é fator determinante para a construção de grandes estruturas metálicas, tais como pontes e treliças sendo também de uso bastante comum, o aço de alta resiliência, para a fabricação de molas.
A resiliência também tem seu significado na Economia da Natureza e na Ecologia, como sendo a capacidade de recuperação de um ambiente frente a um impacto, como por exemplo, uma queimada.
Atualmente a resiliência é utilizada na psicologia corporativa para caracterizar pessoas que têm a competência de retornar rapidamente ao seu equilíbrio emocional após sofrer grandes pressões ou estresses.
Aliás, essa é uma das competências mais requisitadas na composição do perfil de um candidato durante um processo de seleção.
Evidentemente estará em vantagem perante a vida aquele que tiver resiliência de 100% ou seja, for capaz de passar pelos piores pesadelos sem se deixar abater e conseguir retornar sempre ao seu estado de equilíbrio.
Nas palavras do escritor Ray Bradbury é transformar-se, perante a adversidade, em um pote bem fechado. Pode chover caudalosamente ao seu redor, que seu conteúdo nunca se dilui.

O desafio

Gostaria, no entanto, de incrementar nossa discussão propondo aqui um desafio:
– o desenvolvimento de uma resiliência psicológica muito maior que 100%.
Em síntese, não  bastaria o retorno ao  estado original de equilíbrio depois de resolvida a  adversidade.  Teríamos que ir além.
Algo como  um aprendizado efetivo como consequência dessas experiências negativas. Algo que nos tornasse seres humanos melhores.
Seria possível? E como fazer?
Bem, isso já é assunto para um próximo artigo. Não perca!

[Leia os outros artigos de Mustafá Ali Kanso]
Fonte: Hypescience