sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Brasil encabeça ranking de fusões e aquisições na América Latina

O Brasil encabeça o ranking de fusões e aquisições na América Latina. Prova disso é que 45% das empresas listadas nas 500 maiores da América Latina estão no país. Além disso, as 80 companhias da América Latina com mais presença global em 2013 estão no país — entre as quais estão Gerdau, Odebrecht e Natura.
Os dados foram expostos pelas advogadas Gabriela Abreu e Vanessa Castilho, no U.S. - Brazil Legal Summit, organizado pela ALM, editora da The American Lawyer, Corporate Counsel e Focus Latin America, com apoio da revista eletrônica Consultor Jurídico.
Ao falar sobre fusões e aquisições na América Latina, Vanessa afirmou que empresas brasileiras estão prontas para intensificar os esforços e expandir internacionalmente. Neste processo, segundo ela, o papel do advogado interno é auxiliá-las na implantação e manutenção de boas práticas de governança corporativa.
A advogada mostrou ainda que, em julho de 2014, o Brasil fez mais fusões e aquisições do que a média dos últimos quatro anos. Entre os investidores que fizeram aquisições no Brasil, apenas 41% eram estrangeiros.
Pela primeira vez no Brasil, a ALM reuniu especialistas que discutiram os desafios legais enfrentados no investimento internacional e na negociação entre países. Em inglês — e sem tradução simultânea —, os palestrantes falaram sobre o setor de energia no Brasil, regime fiscal, investigação e arbitragem entre o Brasil e os Estados Unidos. O evento, gratuito, aconteceu em uma das salas do Hotel  Hilton São Paulo Morumbi, nesta terça-feira (30/9). 
A ALM é a maior editora jurídica dos Estados Unidos, com cerca de 40 revistas sobre o mercado. Ela organiza cerca de 300 eventos por ano nos EUA e planeja fazer do seminário no Brasil, um evento anual.
Práticas internacionais
Para a advogada Gabriela Abreu, adotar as principais práticas internacionais de governança corporativa ajuda as empresas latinas a operar de forma mais eficiente em escala global.
Durante a palestra, a advogada mostrou os principais motivos que resultaram insucesso de operações entre empresas. Entre eles estão: implementação do acordo levou mais tempo do que o esperado, problemas de integração cultural, questões pessoais e de força de trabalho, e plano estratégico pouco elaborado.
Em relação aos motivos que levaram ao insucesso na integração cultural, Gabriela mostra que 80% são devidos à perda de produtividade, seguida pela perda de talentos (78%), falha em alcançar marcos críticos ou sinergias (77%), diminuição do envolvimento do funcionários (73%), e integração tardia (60%).
Ao abrir para as perguntas do público, o advogado Mauro Cesar Leschziner, moderador da mesa, foi questionado sobre a cultura de negociação chinesa. A dúvida era se os modelos de negociação mundiais estavam se aproximando mais do da China do que dos EUA ou da Europa. Leschziner respondeu que não. Segundo ele, dificilmente a cultura chinesa — mesmo sendo muito forte — dominará a forma de negócio americana e europeia.
 é repórter da revista Consultor Jurídico.
Publicado em 1 de outubro de 2014.
Fonte: ConJur